quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Querido amigo,

Eu não sei se posso chamá-lo de amigo, mas tomei a liberdade já que não sei dizer o que você é pra mim.
Cresci ouvindo coisas boas sobre amor, que ele era a solução para tudo. Que um amor verdadeiro e duradouro é construído com o passar dos anos, com muita paciência e tolerância. Eu testemunhei tudo isso, então era a verdade pra mim. Fui educada para nunca confiar em estranhos, sem exceções. A não ser que fosse um parente que eu não tivesse conhecido.
Certo dia, quando tinha uns 8 anos, disse a minha mãe que a Jessica era minha melhor amiga. Ela simplesmente me disse que quando eu estou mal é ela que cuida de mim, e não essa tal de Jessica. Isso me fez pensar durante dias, até que que minha melhor amiga me esqueceu, e encontrou outras meninas para manipular. Foi ai que nunca mais me dei bem com garotas - com raras exceções é claro -e encontrei seres fantásticos de se conviver, os garotos. (Não sei se isso tudo irá responder os seus questionamentos, mas irei tentar)
No fim, estranhos ou não, se tornaram pessoas não confiáveis e com alto índice de serem mentirosas. (O que vou dizer agora não desfaz a minha opinião sobre estranhos) Só que para o meu espanto, eu me vi entregando todo o meu destino a alguém que eu nunca tinha visto, você. No instante em que te vi, ainda longe, senti toda a minha alma sendo levada por você e isso me deixou furiosa, e ainda me deixa. Passei a vida criando essa armadura com mil códigos e senhas, que só alguém com excelente conhecimento sobre mim poderia desmontá-la. Ai você chega sem avisar, e destrói esse bloqueio tão facilmente que me deixa sem ter o que dizer, fazer. Eu não sei se costuma fazer isso com frequência, mas você é bom.
E só pra te informar, a armadura ainda está caída, mas eu posso montá-la se quiser. Sabe, parece que no fundo eu sei a resposta. Porque toda vez que tomo a iniciativa, sem um comando seu, não consigo terminá-la pois sou interrompida com algum sinal seu. Parece que você sabe e tenta me impedir de te esquecer. Só que toda vez que penso assim, lembro daquela frase do Manuel de Barros: "O olho vê, a lembrança revê e a imaginação transvê", e ele realmente consegue me convencer que não passa de imaginação. Me envergonha dizer isso, mas eu ainda acho que você pensa em mim, as vezes.
Me desculpe por falar tanto e não dizer exatamente alguma coisa. É que estou um pouco mal de saúde espiritual, e queria pedir a parte de mim que você levou e ainda não devolveu.
Não acho que fui muito clara, mas creio que você entendeu. Afinal é só esse tipo de conversa que estamos tendo ultimamente.


A estranha Cristina

Um comentário:

  1. Esse seu amigo,tem muita sorte. Pelo que você escreveu parece que ele te conhece muito bem. E é tão importante que levou um "pedaço" seu.
    Se ele existe, merece meus parábens"

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